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Vinho com tampa de rosca é ruim?

Taí um preconceito suuuuper comum!

Eu sei, eu sei…nada se compara ao charme de se abrir a garrafa com o saca-rolhas, olhar e cheirar a rolha…alguns a guardam para colecionar.

Eu sei, eu entendo você me olhar de cara feia, mas teremos que nos acostumar, sabe por que? As rolhas estão em extinção.

Isso mesmo, elas podem acabar. E em virtude disso, enquanto não deixarem de existir, elas irão onerar (pra valer) o preço dos vinhos.

DE ONDE VÊM AS ROLHAS DE CORTIÇA?

As rolhas mais tradicionais que conhecemos são as de cortiça. A maioria delas são produzidas em Portugal, na região do Alentejo, por meio dos Sobreiros ou Carvalhos.

Só que essas árvores, cujas cascas são usadas para fazer a rolha, demoram cerca de 25 / 30 anos até que a primeira extração possa ser realizada! Costumo brincar dizendo que ela é uma árvore temperamental!

E tem mais…após esses 30 anos, só a cada 9 anos é possível pensar em novas extrações! A bichinha é difícil!!!

AS ROLHAS E O TCA

E aí que estamos ficando sem árvores nessa idade e, para piorar, algumas ainda são atingidas por um fungo que, em contato com a casca da árvore, compromete o sabor do vinho. É a chamada contaminação por TCA (tricloroanisol) que provoca na bebida um mau cheiro semelhante ao de papelão molhado.

**Repare que a produção do vinho é um constante processo de preocupação e controle master desde a uva até o final. Os caras não podem relaxar nunca! Os vinhos atacados por esse defeito, do mau cheiro causado pelo TCA, são chamados de bouchonné. Em um restaurante, um vinho bouchonné deve ser devolvido.

A rolha é um objeto que serve para vedar a garrafa, e suas qualidades estão relacionadas ao seu tamanho, elasticidade e quantidade de poros (quanto menos porosa, melhor). Sendo assim, é fácil deduzir que os grandes vinhos usam rolhas grandes (de até 7cm), são pouco porosas e com boa elasticidade, para que desta forma seja possível vedar bem o vinho POR ANOS para que ele possa “evoluir” com o tempo.

Notou que eu disse POR ANOS?

Pois bem.

A BOA NOTÍCIA

A boa notícia que eu tenho para te dar é: se você costuma tomar vinhos jovens, vinhos que não são de guarda, não faz a menor diferença se a vedação ocorre por uma rolha de cortiça ou screw cap (rosca), porque seu vinho não precisa “evoluir”!

Os vinhos do novo mundo já são adeptos das roscas, principalmente os brancos, que são vinhos para serem tomados frescos. A rolha de cortiça em um caso desses, está só onerando o custo. Que pode chegar a custar 3 Euros por garrafa!!!

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1-Cortiça; 2-Aglomerado; 3-Screw Cap (Rosca)

EXISTEM OUTROS TIPOS DE ROLHA

Claro existem rolhas de cortiça mais baratas, como as de aglomerado. Sabe quando falamos em “moveis de aglomerado, compensado”? É tipo isso. É um monte de sobra de cortiça compactada com uma espécie de cola.

Essas rolhas oferecem a vantagem de serem mais baratas, mas também a desvantagem de necessitarem de certos cuidados para que o cheiro da cola não afete o vinho.

Em se tratando de rolhas mais baratas, existem também as sintéticas, que não levam cortiça na composição e por isso oferecem a vantagem de não serem atingidas pela TCA.

Faz sentido usarmos vedações mais em conta, já que não saímos por aí tomando vinhos de guarda, grandes vinhos em qualquer almoço!!! (Quero deixar claro que não é por falta de vontade, apenas pelo dia a dia mesmo!)

AS SCREW CAPS – ROSCAS

Já as Screw caps (roscas), foram introduzidas no universo do vinho na Austrália, desde a década de 60, e, assim como as aglomeradas e sintéticas, também são polêmicas com relação a manutenção da qualidade do vinho. Mas, cada vez mais, vêm ganhando espaço entre os vinhos jovens e brancos.

Então, respondendo a pergunta do post: vinho de rosca NÃO é sinônimo de vinho ruim. Quando um vinho é ruim, é porque ele é ruim e ponto. Seja ele com rosca ou cortiça.

Obs: Há também vedantes de vidro e cêra, mas isso será assunto para um outro post. Neste porocurei me limitar à questão da screw cap.

Bjs!!!

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